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Verônica Ferriani escolhe Ribeirão para lançar seu segundo disco

Verônica Ferriani escolhe Ribeirão para lançar seu segundo disco
, em 31/10/2014, às 11:09

Entrevista realizada em outubro de 2013

Por Francine Micheli
Fotos: Divulgação

O palco de Teatro Municipal de Ribeirão Preto foi o local escolhido para o lançamento do disco Porque a boca fala aquilo do que coração tá cheio, da cantora e instrumentista Verônica Ferriani, no dia 18 de outubro, às 21h. Não por acaso, Verônica volta à sua terra natal trazendo na bagagem a experiência que conquistou ao longo de mais de 10 anos de carreira junto a nomes como Chico Saraiva, Beth Carvalho, Ivan Lins, Jair Rodrigues, Tom Zé, Toquinho e tantos outros ícones da música brasileira.

A veia compositora de Verônica veio à tona e ganhou apoio do produtor Gustavo Ruiz (irmão de Tulipa Ruiz), que se juntou ao seu antigo parceiro de produção Marcelo Cabral. Os dois assinam também a direção musical do espetáculo, que traz os músicos Guilherme Held (guitarra), Sergio Machado (bateria) e Rodrigo Campos (guitarra e violão).

Amor é amor, ué

“Esse disco nasce do desejo e da coragem de sair da zona de conforto”, disse Verônica. “Sempre gostei de escrever e desde criança tive por perto o violão, mas só recentemente tive motivos e inspiração para compor. Virou um vício. Passei um desses processos mais intensos de reflexão e revisão interior e ali as músicas foram surgindo.”

Sobre o show de lançamento do disco, Verônica explica que é uma história de amor, já que todas as músicas falam sobre o tema. Mas os românticos em excesso que se cuidem porque ironia, sarcasmo e vingança feminina também fazem parte dos recortes que cada canção proporcionou ao tema.

E as intenções de Verônica são tão apaixonadas quanto o novo disco. Depois de Ribeirão, a cantora parte para o Japão com sua nova turnê. E antes de tudo isso, Verônica disponibilizou pra gente a música inédita “Estampa e só”, que você pode ouvir aqui:

Leia abaixo a entrevista exclusiva que ela concedeu ao Varal Diverso.

Verônica, do início da sua carreira, em 2003, é possível notar um certo "alargamento" musical que começou no samba e partiu para outros experimentos. Como tem sido essa fusão de influências?
Na verdade, comecei cantando, paralelamente, dois trabalhos um tanto diversos entre si, o que talvez já demonstrasse esta gama de referências e desejos musicais. De um lado, a participação nos shows de Chico Saraiva, trabalho autoral com referência na MPB de Guinga e Tom Jobim, mas bastante experimental, principalmente no sentido melódico/harmônico, vencedor do Prêmio Visa 2003. De outro, as rodas de samba raiz que me levaram a longas temporadas no Carioca da Gema e no Ó do Borogodó, às participações junto à Velha Guarda, Beth Carvalho e Moacyr Luz. É certo que o samba, também por ser um gênero mais popular, me abriu espaços também mais populares; porém, a vontade de trabalhar com repertório autoral já se mostrava presente. Até que, em 2009, gravei o disco Sobre Palavras, com 13 canções inéditas de Chico Saraiva e Mauro Aguiar, projeto coletivo que até hoje segue em turnês esporádicas. Alguns meses antes deste disco, ainda em 2009, tinha gravado meu primeiro disco solo, homônimo, com apenas 2 inéditas e 8 releituras de canções menos conhecidas de compositores como Paulinho da Viola e Gonzaguinha, após uma profunda pesquisa junto ao BiD, produtor musical. Embora estivesse bastante ligada ao samba e este disco tenha como linha mestra o gênero, a ideia foi fazer uma pesquisa de sonoridade com influência setentista, com piano rhodes, e muita percussão, sem bateria, como influência do samba mas também da música latina, africana e da MPB contemporânea. Antes, eu havia declinado a dois convites para gravar discos tradicionais do gênero, por sentir justamente que este não representava a totalidade de minhas referências. O maior passo nesse sentido do "alargamento" musical talvez esteja de fato ocorrendo agora, ao compor e gravar minhas próprias canções. Sempre achei que isso fosse acontecer um dia, principalmente ao voltar a me aproximar do violão e também por gostar desde sempre de escrever. Faltava algo que me inspirasse definitivamente, e tempo para me dedicar a isso, o que veio em 2011. O fato de estar amparada exclusivamente pela galera da nova geração também é, sim, uma novidade, embora meu primeiro encontro com Marcelo Cabral e Gustavo Ruiz tenha sido ainda em 2007, ao gravarmos o Programa Som Brasil (TV Globo). Minha história com Cabral vem ainda de antes, pois estudamos música e começamos a tocar juntos. A verdade é que acredito que eu ainda vá fazer muitos discos diferentes entre si, tenho em mente projetos diversos e vontade de experimentar vários caminhos. Minha coerência é minha liberdade, amparada provavelmente no momento emocional em que eu me encontrar a cada novo trabalho. Por isso o nome do disco se explica também nesse sentido: "Porque a boca fala aquilo do que coração tá cheio".

Vídeo: Paulo Gallo / Varal Diverso

Ribeirão Preto é sua cidade natal, mas seu nome ganhou notoriedade a partir de apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por que escolheu Ribeirão para lançar seu segundo disco?
Apesar de eu ter começado a cantar já morando em São Paulo e frequentando o Rio, tenho uma conexão emocional forte com a cidade através de minha família, que ainda mora aqui, amigos, e até pelo fato de eu ter tido, através deles, meus primeiros contatos e referências em música. Apesar de morar em São Paulo há tantos anos, de alguma forma ainda me sinto mais uma garota do interior do que uma paulistana cosmopolita.

Depois daqui, você sai em turnê pelo Japão. Haverá algo de diferente no repertório dessas apresentações? Por que o Japão?
Como os shows no Japão serão também pelo lançamento do disco, o repertório será o mesmo. Há cerca de quase um ano recebi este convite da Embaixada do Brasil em Tóquio, e para o projeto "Novas Vozes do Brasil", que valoriza justamente o que tem sido feito pela nova geração aqui. Percebendo que o disco ficaria pronto a tempo, sugeri que levássemos este show. Eles ouviram o disco, ainda em fase de pré-produção, e gostaram, decidindo inclusive lançá-lo em edição japonesa simultânea, pela Latina.

Seu segundo disco é totalmente autoral. Como foi o processo de composição e a escolha das influências?
Em 2008 fiz minha primeira música, "Tu, neguinha", ao lado de Giana Viscardi. Ali foi nascendo o desejo de compor, mas somente no início de 2011, quando eu estava muito próxima ao violão e voltando a escrever — em um mês sabático na praia de Caraíva, na Bahia —, é que senti ter inspiração e tempo pra isso. Lá fiz 6 ou 7 músicas e, a partir daí, a dedicação virou quase diária, aonde quer que eu estivesse. Foram quase 30 músicas fechadas, das quais escolhemos 11 para o disco.

O que o público poderá esperar no lançamento do seu disco no Teatro Municipal, no dia 18/10?
Um show dedicado exclusivamente às canções do disco, sem concessões, e algumas poucas de autores que por algum motivo tenham me inspirado ou façam parte deste universo.


Vídeo: Paulo Gallo / Varal Diverso

Quais músicos de Ribeirão Preto que você considera especiais na sua trajetória de alguma maneira?
Logo que comecei cantei algumas vezes com a dupla de acordeonistas Gilda Montans e Meire, junto também ao Carlito e Deva. Cantei algumas vezes com o saudoso Mário Feres, tenho feito alguns shows dedicados ao Vinícius de Moraes também junto ao Alê Machado. Esta semana estou gravando uma faixa no novo disco de Dimi Zumquê, que também tem como convidada Elza Soares.

Há alguma faixa especial do novo disco que tem uma história inusitada, diferente?
Acho que algumas passagens de diversas músicas trazem detalhes únicos, que irão provocar de alguma forma quem as ouvir. Há um lado bem passional no disco, outro um tanto frágil, diferente do blasé e da segurança que hoje muitas composições embutem a seus personagens.

Onde o disco estará à venda?
Nos shows de lançamento o disco estará à venda por R$ 10, uma contrapartida ao ProAC (edital estadual que possibilitou que o projeto fosse patrocinado pela Bebidas Ipiranga e Uniforja), e que achamos importante a fim de ampliar o acesso à música autoral, bem como os ingressos a R$ 5 e 2,50 (meia). Depois disso, o disco estará em venda exclusiva na Livraria Paraler e, a partir de novembro, nas lojas do ramo.

SEVIÇO

Verônica Ferriani
Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio

18 de outubro de 2013 (sexta-feira), às 21h
Ingressos: R$ 2,50 (meia) / R$ 5
Teatro Municipal (praça Alto do São Bento, s/nº – Jd. Mosteiro)
Telefone: (16) 3625-6841

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