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Prazer, meu nome é Tetê

Prazer, meu nome é Tetê
, em 13/06/2014, às 17:56 (atualizado em 14/06/2014, às 12:16)

Por Francine Micheli
Fotos: Zuzu Souza Zens/Divulgação

“É muito ruim, Nossa Senhora! Chorei muitas vezes por não saber”. Com essa frase, Terezinha Brandolim, a Dona Tetê, tenta passar pra gente o que sente sobre as mais de oito décadas que passou sem saber ler ou escrever. Natural de Monte Azul Paulista, foi em Ribeirão Preto que viveu a maior parte do tempo, e foi aqui também que integrou uma das salas de alfabetização para adultos. Era uma das mais velhas. E uma das mais felizes pela oportunidade que estava tendo aos 82 anos.

A inspiração para as artes surgiu na sala de aula, quando os alunos foram instruídos a criar cartões de Páscoa. Ela então escreveu o seu e o decorou com flores recortadas de chita. As flores que sobraram formaram seu primeiro quadro e ela gostou tanto que passou a aprimorar a técnica, que a tranquilizava e estimulava sua criatividade.

Os quadros, feitos com flores de tecido recortadas uma a uma, começaram a chamar a atenção da família e amigos, inevitavelmente chegando às redes sociais. Exposta na página Galeria Tetê Brandolim, criada pela sua filha, a história chamou a atenção de jornalistas e internautas pela beleza das obras e pela superação.

Para Tetê, a arte tem um significado simples, mas carregado de uma satisfação que a maioria de nós não consegue atingir: trabalhar e ficar contente ao mesmo tempo. “O dia passa ligeiro e esqueço de tudo. Por mim eu ficava até uma, duas horas da manhã recortando e colando, escolhendo as flores, porque eu monto o quadro e depois desmonto tudo para fazer de novo. Gosto de fazer quadro grande. No grande, eu posso soltar a imaginação”, diz.

Vovó grafiteira

Sempre aberta a novos aprendizados, Tetê já andou fazendo amizades com os artistas urbanos de São Paulo. Um dos feitos de que mais se orgulha, foi ter participado da grafitagem no Minhocão em São Paulo, no ano passado. Ela ainda quer mais: fazer um mural numa grande parede.

A artista divide o seu tempo entre Ribeirão Preto e São Paulo, onde mora com a filha Maria Zulmira. Com uma vitalidade que deixa todos nós no chinelo, Tetê transfere para seus quadros a gratidão que tem pelas letras, pelas flores e pela vida.

A primeira vez

Hoje, dia 14 de junho, Tetê está em Águas de Lindoia, onde abre sua primeira exposição. Uma série de 20 quadros será exibida até 17 de julho no Panorama Hotel & SPA, batizada de "As flores de Tetê".

Sobre a vida de artista, Tetê diz que ainda é difícil reconhecer seu próprio talento, mas que reconhece sua impressionante capacidade. “Não me acostumei ainda não. Quando eu olho os quadros que já fiz me impressiono com o que sou capaz de fazer”. 

E sobre a vida nova que ganhou depois de aprender a ler e escrever, ela se emociona com gana de planejar o futuro. “Agora eu leio um pouco e já está muito mais legal. Sou muito agradecida a Deus. Estou até montado o álbum de figurinhas da Copa junto com meu genro Uli”.

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