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Camila Gray: tem moda na ponta do pincel

Camila Gray: tem moda na ponta do pincel
, em 26/03/2015, às 22:49 (atualizado em 05/06/2015, às 18:28)

Por Francine Micheli
Foto: Rafael Almeida / Divulgação

Ela se apaixonou pela aquarela quando criança e desde então, nunca mais largou. Camila Gray é dessas artistas que não trabalham sem música e, depois de viver em Nova York, voltou ao Brasil cheia de inspiração. E aí as coisas começaram a acontecer em alta rotação: surgiu o convite para trabalhar na revista Vogue.

Conheça o trabalho colorido e surpreendente da Camila, que já dá outra dica pra quem se arrisca entre lápis e pincéis: “o álbum Fever, da Banda Sleepy Sun, é um álbum delicioso que descobri e bem relaxante para desenhar”.

Como surgiu a paixão pelo desenho e há quanto tempo ela virou profissão?
Desde pequena, pois estudava na escola Convívio (método Waldorf), em Ribeirão Preto, que é bem focado em artes manuais e criatividade. Mas quando me mudei para São Paulo, em 2005, a paixão voltou como um hobby e voltei a desenhar. E, depois de muito treino e alguns cursos, tentei me profissionalizar e ganhar dinheiro com isso.

Como você define o seu estilo?
Acho tão difícil me autoanalisar, até porque tem meio termos: realista, mas nem tanto; colorido, mas nem tanto (risos). Mas geralmente são muito femininas. E gosto de contrastes, como a exatidão do lápis/lapiseira e a fluidez da aquarela. Gosto de tentar novos estilos e não me prender tanto a estilo, pois ainda tenho muito a experimentar e aprender.

Quais são suas inspirações?
Sou muito visual, então quase tudo me inspira, de filmes a desfiles, moda em geral, pessoas criativas, grandes personalidades, fotografia...

O que desenhar representa pra você hoje?
Hoje é um prazer com o qual ganho dinheiro ocasionalmente. Mas, mesmo se não ganhasse nada com isso, continuaria desenhando.

Como foi deixar sua cidade natal e encarar Nova York e, depois, o mercado na capital?
Não tenho nenhum problema com mudanças, então vou para onde aparecem oportunidades. Nova York foi uma experiência maravilhosa, a cidade é inspiradora e transformadora, tenho paixão por aquela cidade. Depois, vim para São Paulo pela oportunidade de trabalho na Editora Globo Condé Nast (Vogue, Casa Vogue, GQ e Glamour), que são ótimos títulos que poderiam me proporcionar uma boa experiência. Mas vim como designer gráfica, e não ilustradora.

Quais os trabalhos que você fez e que foram muito importantes na sua carreira?
Acho que fazer estampas para a C&A foi bem legal (um dos primeiros grandes clientes) e para a revista americana de música Spin também foi bem legal.

Quais são os mocinhos e os vilões da sua inspiração?
Eu não tenho muito aquele problema que vários ilustradores têm, da "blank canvas", que é o desespero de ver uma tela em branco e não saber o que fazer. Meu mocinho é a inspiração. Meu vilão é começar e terminar um desenho. Várias vezes me canso no meio de uma ilustra, enjoo e parto para outra. Eu coleciono ilustras começadas.

Como você lida com o processo criativo? Ele é metódico, é indisciplinado?
Mais para indisciplinado, pois planejo pouco, deixo a inspiração bater e começo algo novo. Vejo uma imagem que me inspira e pego o caderninho, a não ser quando é freela e tenho prazo.

Tem alguma história especial que queira contar ligada às suas ilustrações?
Acho legal quando as pessoas atribuem significados às ilustras que nem eu tinha pensado sobre. Por exemplo: um site internacional que fez uma matéria sobre meu trabalho e, analisando uma ilustração que tenho de uma caveira com tranças, disse que era uma crítica à magreza absurda das modelos de hoje em dia, quando, na verdade, era só porque gosto de caveiras e gosto de tranças (risos)! Sou bem mais simplista do que parece, mas acho legal isso. Arte é para cada um atribuir o significado que lhe parece.

Faça uma playlist com 10 músicas inspiradoras na hora de desenhar
São tantas, mas vou falar o que está na minha lista "desenhando" do Spotify no momento:

Camila Gray by ESC Conteúdo Editorial on Grooveshark

Cite alguns sites/blogs que você recomenda pra quem quer ter inspiração.
Sou viciada no Pinterest, uma infinidade de imagens lindas e inspiradoras. Meu perfil lá é esteO site Fashion Gone Rogue tem editoriais de moda maravilhosos do mundo inteiro. Amo o Humans of New Yorkque tem várias pessoas interessantes e histórias maravilhosas, e o Trend Land, que tem um pouco de tudo na área criativa.

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