Para o topo

A rua em preto e branco

A rua em preto e branco
, em 03/05/2014, às 22:41 (atualizado em 24/06/2014, às 12:04)
Fran Micheli

Cabeças imensas andam aparecendo nos muros da cidade e têm atraído os olhares dos mais curiosos. O traço preto, sempre minimalista, é preenchido pelo branco, quase uma afronta à batalha de cores travada entre os grafiteiros mais experientes.

O artista em questão é Fernando Stéfano que assina as obras como “Pink”, apelido dado pelos amigos há um tempão por causa da dupla Pink & Cérebro. Na bagagem artística, nada de cursos nem muita frescura, mas uma intensa vida de molecagem no Jardim Maria das Graças, em Ribeirão Preto, onde sempre morou. Ele diz que aprendeu tudo na rua e que pratica o desapego toda vez que termina um graffiti. “A obra é da rua e a rua é de todos. Está livre para ser apagada ou modificada”.

A simplicidade dos traços chama atenção, especialmente pelas características de ilustração que eles carregam. E não é à toa que a mão boa deu ao Pink uma profissão: hoje, além de artista de rua, ele também é tatuador e acredita que o desenho serve pra causar alguma reflexão nas pessoas.

Quando quer algo diferente, investe em algumas cores — mas não muitas. O mínimo pra não ser reconhecido como um artista monocromático.

Como e quando começou o seu envolvimento com as artes e quando decidiu ser artista de rua?
A arte sempre foi presente em minha vida, mesmo que sem senso estético ou criativo. Com o tempo procurei me informar e aprender sobre esse universo da arte. Sempre vi e não entendia quem fazia desenhos nas ruas e isso sempre me intrigou. No ano de 2000, participei de uma oficina e vi realmente como era a ação de um grafiteiro, e somente após quatro anos comecei a praticar. Conheci todos os grafiteiros da cidade e, com o tempo, o processo criativo passou a ser mais intenso em minha vida e assim consegui desenvolver meu estilo.

Você carrega traços de ilustrador. Foi o graffiti que te influenciou na ilustração ou o contrário?
graffiti muitas vezes limita, pois não pode existir cópia e isso força você a criar seu próprio desenho e estilo. No meu caso, ajudou muito.

Qual a mensagem que você tenta passar com seus personagens espalhados pelos muros da cidade?
Quando saio de casa pra pintar, tenho que me organizar, gastar dinheiro e tempo. Primeiramente faço o graffiti para os amigos, pois existe uma disputa nas ruas, mas a repercussão que essa linguagem toma é muito atrativa e significativa pra mim. Vários artistas veem o grafiteiro como um vitimista, mas eu vejo como alguém que escolhe agredir a cidade “livremente”, sem dor na consciência. E isso sempre vai ser bem aceito por alguns e incomodará a outros. Não quero passar alguma mensagem, mas sei que ograffiti gera alguma reflexão nas pessoas. Isso se torna motivação pra que o trabalho ainda seja feito nas ruas, e a rua me acolheu.

Por que você escolheu o preto e branco para os seus personagens?
Grafito há sete anos e sempre fui minimalista. Com o tempo me adaptei ao preto e branco e ao que conseguia construir com essa simplicidade.

Já apagaram muitos trabalhos seus em muros? Qual é o sentimento e como você lida com isso?
Depois que o trabalho está completo, o desapego é o sentimento mais sensato e efetivo que se pode ter com a obra, pois ela está na rua e a rua é de todos. O desenho está livre para ser apagado ou modificado e isso só se torna agressivo quando vem de outro grafiteiro.

Quais são suas influências?
Todos os trabalhos podem ser influências, mesmo que apenas em algum detalhe. Mas existem artistas que me influenciaram demais, como OsgemeosOnestoAryz, Robin, Tr e Dida.

Já exibiu seu trabalho em outras cidades/países?
Viajei pouco pelo graffiti, pois as maiores conquistas que tive foram aqui em Ribeirão e o graffiti se tornou um hobby que às vezes me proporciona trabalhos.

Como você resume a sua arte?
Eu comigo mesmo.

Compartilhe:

PRÓXIMO POST »
A garota das corujas

Você poderá gostar também!

 

Ribeirão-pretanos estarão em mundial de break nos EUA

06.05.2014 - 23:08

Conheça história dos Funk Fockers, grupo que participa de campeonatos pelo mundo e acabou de ganhar uma vaga na final mundial. Eles ficaram conhecidos após uma polêmica na TV.

Os desenhos da menina com mil nomes

05.11.2014 - 11:33

Rafaella Rímoli também é Ram Rapose, Vicente, Zvaga. Com heteronônimos, vai criando uma realidade curiosa através de suas ilustrações e pulverizando toneladas de inspiração por onde passa.

Ribeirão-pretano vai expor na Bienal de Graffiti em São Paulo

20.02.2015 - 18:40

O grafiteiro Lelin Alves levará sua arte urbana para a 3ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art, que começa dia 17 de abril, no Parque do Ibirapuera

 

VOLTAR

 

Comente aqui:
Instagram
Instagram

Varal Diverso © 2011–2017. Todos os direitos reservados | Termos de uso | Design: Paulo Gallo